terça-feira, 8 de janeiro de 2008

As escadas do Paraíso?


...

Há outra entrada no paraíso
Mais apertada
Mais sim senhor
Foi inventada por um anão
E está guardada
Por um dragão

Eu só conheço
Esse caminho
Do paraíso


Pedro Ayres Magalhães

(Foto: Escadas Hotel Fayal, Horta)

hold still for a moment and I'll find you...




(Foto: Galeria Mário Sequeira, Braga)

As coisas mudam rapidamente muito devagar...




(Foto: Passeio de carro no Algarve, tirada em andamento)

O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar...




(Foto: Faial, Açores. Passeio de Barco.)

Lonely






Water water on the seeds
To my left they rose and leaf
To my right cross Seven Seas

Maybe maybe they'll stay true
My seeds will cross and then take root
And leave you to an empty room
Lonely lonely that is you
Lonely lonely that is you

Paper paper obsolete
How will you reach out to me
I thought you'd ask me not to leave
Lonely lonely that is me
Lonely lonely that is me

Distance makes the heart grow weak
So that the mouth can barely speak
Except to those who hide their needs
And I have read the golden seal
That tell of how the seedlings feel
Reminds my heart what love can yield

By my only things are clear
Baby boy I'm staying here
Lonely lonely that was you
Lonely and so untrue



Feist


(Foto: Auto-retrato.)

domingo, 6 de janeiro de 2008

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."




(Foto: Paisagem, Mirandela, em movimento.)

O barco da ilusão




(Foto: Porto Pim, Faial.)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Ontem...


"Ontem tudo era mais belo

a música nas árvores

o vento nos meus cabelos

e nas tuas mãos estendidas o sol."


Agota Kristof


(Foto: Caminhada à Abadia.)

Querer a Lua...


"O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter."


Fernando Pessoa in "O Livro do Desassossego




(Foto: Paisagem nocturna, Chaves.)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Aqui onde o exílio dói...



Aqui onde o exílio

dói como agulhas fundas,

esperarei por ti

até que todas as coisas sejam mudas.


Até que uma pedra irrompa

e floresça.

Até que um pássaro me saia da garganta

e no silêncio desapareça.


Eugénio de Andrade


(Foto: Trilho Abadia-São Bentinho.)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007



Escrevo-te de perto, como se a mão

te fosse objecto breve aflorado,

como se da rua te chegasse

a certeza pequena para a compra

dos minutos seguintes. De perto

como o sol, como a cigarra.

Como um silêncio cheio

que te viesse aos olhos de manhã

e amar-te fosse a roupa

escolhida ao começar o dia.


Pedro Tamen


(Foto: Pormenor casa da aldeia.)

...um ramo partido não mata uma árvore...



Se uma pausa não é o fim

E o silêncio não é ausência,

Se um ramo partido não mata uma árvore,

um amor que é perdido, será acabado?


Ana Hatherly


(Foto: A caminho da Abadia.)

domingo, 2 de dezembro de 2007

...ser cem vezes mais sombra que a sombra...



Sonhei tanto contigo,
caminhei tanto contigo, falei tanto,
amei tanto a tua sombra
que já não me resta nada de ti.

Só me resta ser uma sombra entre as sombras,
ser cem vezes mais sombra que a sombra,
ser a sombra que virá e voltará a vir
na tua vida ensolarada.

Robert Desnos


(Foto: Auto-retrato.)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

A medida do meu tempo...


Estar contigo ou não estar contigo é a medida do meu tempo.

...

É, já sei, o amor: a ansiedade e o alívio de ouvir a tua voz,
a espera e a memória, o horror de viver no sucessivo.

Jorge Luis Borges


(Foto: Pormenor de um quarto, Faial)

A vocação do fogo...

...

Pousas as mãos sobre o meu rosto,

e vais partir,

sem nada me dizer,

pois só quiseste despertar em mim

a vocação do fogo ou do orvalho.

E devagar, sem te voltares,

pelos espelhos entras na noite acessa.

Eugénio de Andrade



(Foto: Forno a lenha, casa da aldeia.)

Cuidado!


Cuidado. O amor
é um pequeno animal
desprevenido, uma teia
que se desfia
pouco a pouco. Guardo
silêncio
para que possam ouvi-lo
desfazer-se.

Casimiro de Brito

(Foto: O meu gato, o Bilhó.)


IV

Esta vista de mar, solitariamente,
dói-me. Apenas dois mares,
dois sóis, duas luas
me dariam riso e bálsamo.
A arte da Natureza pede
o amor em dois olhares.

Fiama hasse pais brandão

(Foto: Praia de Porto Pim, Faial.)

domingo, 11 de novembro de 2007

O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos...



(Foto: Autro Retrato.)

O cansaço...


O cansaço de todas as ilusões e de tudo que há nas ilusões - a perda delas, a inutilidade de as ter, o antecansaço de ter que as ter para perdê-las, a mágoa de as ter tido, a vergonha intelectual de as ter tido sabendo que teriam tal fim.

Fernando Pessoa


(Foto: Retrato - Avô Materno - na casa da aldeia.)

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Tudo se funde e confunde.


Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingirás assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os ódios sabem a amores, e as coisas concretas a abstractas, e as abstractas a concretas. Quebram-se os laços que, ao mesmo tempo que ligavam tudo, separavam tudo, isolando cada elemento. Tudo se funde e confunde.

Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

(Foto: Valdanta)