sábado, 4 de julho de 2009

Tira a mão do queixo...


Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo
Jorge Palma


(Foto tirada por V. Esplanada do Sr. da Pedra, Gaia.)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Muito bucólico a favor da besta...




(Foto: Ilha do Pico.)

Viagem

Aparelhei o barco da ilusão,
e reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
o mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso que perdemos.)

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.


Miguel Torga


(Foto: Marina da Horta.)

Pássaro da tarde


...Devagarinho vão os pássaros da tarde.
Minha loucura é sem nome,
minha morte é sem alarde.
E eu já conheço o caminho...
Walmir Ayla


(Foto: Passeio à Ilha de São Miguel.)

Seres inúteis


Efectivamente não se compreende para que vivem certos seres inúteis, que atravacam a nossa existência e um pequeno incidente podia suprimir.
Raul Brandão


(Foto: Representação da chegada de uma caravela à Ilha de São Miguel. Personagem representa uma espécie de demónio.)

Nesta curva...


Nesta curva tão terna e lacinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

Alexandre O'Neill


(Foto: S. Miguel, Açores)

sábado, 2 de fevereiro de 2008

E a vida lateja, longe, num outro lugar...

(Foto: Cemitério da Madalena, Pico - Açores)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

As escadas do Paraíso?


...

Há outra entrada no paraíso
Mais apertada
Mais sim senhor
Foi inventada por um anão
E está guardada
Por um dragão

Eu só conheço
Esse caminho
Do paraíso


Pedro Ayres Magalhães

(Foto: Escadas Hotel Fayal, Horta)

hold still for a moment and I'll find you...




(Foto: Galeria Mário Sequeira, Braga)

As coisas mudam rapidamente muito devagar...




(Foto: Passeio de carro no Algarve, tirada em andamento)

O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar...




(Foto: Faial, Açores. Passeio de Barco.)

Lonely






Water water on the seeds
To my left they rose and leaf
To my right cross Seven Seas

Maybe maybe they'll stay true
My seeds will cross and then take root
And leave you to an empty room
Lonely lonely that is you
Lonely lonely that is you

Paper paper obsolete
How will you reach out to me
I thought you'd ask me not to leave
Lonely lonely that is me
Lonely lonely that is me

Distance makes the heart grow weak
So that the mouth can barely speak
Except to those who hide their needs
And I have read the golden seal
That tell of how the seedlings feel
Reminds my heart what love can yield

By my only things are clear
Baby boy I'm staying here
Lonely lonely that was you
Lonely and so untrue



Feist


(Foto: Auto-retrato.)

domingo, 6 de janeiro de 2008

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."




(Foto: Paisagem, Mirandela, em movimento.)

O barco da ilusão




(Foto: Porto Pim, Faial.)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Ontem...


"Ontem tudo era mais belo

a música nas árvores

o vento nos meus cabelos

e nas tuas mãos estendidas o sol."


Agota Kristof


(Foto: Caminhada à Abadia.)

Querer a Lua...


"O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter."


Fernando Pessoa in "O Livro do Desassossego




(Foto: Paisagem nocturna, Chaves.)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Aqui onde o exílio dói...



Aqui onde o exílio

dói como agulhas fundas,

esperarei por ti

até que todas as coisas sejam mudas.


Até que uma pedra irrompa

e floresça.

Até que um pássaro me saia da garganta

e no silêncio desapareça.


Eugénio de Andrade


(Foto: Trilho Abadia-São Bentinho.)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007



Escrevo-te de perto, como se a mão

te fosse objecto breve aflorado,

como se da rua te chegasse

a certeza pequena para a compra

dos minutos seguintes. De perto

como o sol, como a cigarra.

Como um silêncio cheio

que te viesse aos olhos de manhã

e amar-te fosse a roupa

escolhida ao começar o dia.


Pedro Tamen


(Foto: Pormenor casa da aldeia.)

...um ramo partido não mata uma árvore...



Se uma pausa não é o fim

E o silêncio não é ausência,

Se um ramo partido não mata uma árvore,

um amor que é perdido, será acabado?


Ana Hatherly


(Foto: A caminho da Abadia.)

domingo, 2 de dezembro de 2007

...ser cem vezes mais sombra que a sombra...



Sonhei tanto contigo,
caminhei tanto contigo, falei tanto,
amei tanto a tua sombra
que já não me resta nada de ti.

Só me resta ser uma sombra entre as sombras,
ser cem vezes mais sombra que a sombra,
ser a sombra que virá e voltará a vir
na tua vida ensolarada.

Robert Desnos


(Foto: Auto-retrato.)